A retração gengival é um processo progressivo e silencioso que pode comprometer não só a estética do sorriso, mas também a proteção natural dos dentes. Um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 90% da população adulta mundial apresenta algum tipo de problema gengival, conforme matéria publicada no porta Terra. No Brasil, levantamentos da Associação Brasileira de Odontologia indicam que esse índice é ainda maior entre pessoas com mais de 40 anos, principalmente nos casos em que há histórico de bruxismo, escovação agressiva ou doenças periodontais.
Logo, a retração gengival expõe a raiz dentária, o que deixa os dentes mais sensíveis e propensos a desenvolver cáries cervicais e perdas ósseas. Quando o quadro evolui, o simples desconforto ao ingerir bebidas geladas oferece em um risco real de comprometimento funcional. Nessas situações, o enxerto gengival cirúrgico é uma alternativa eficaz para restaurar a proteção gengival e estabilizar a saúde bucal.
Apesar de parecer uma intervenção complexa, o procedimento é minimamente invasivo, realizado com anestesia local e técnicas modernas que favorecem uma recuperação confortável.
O que é o enxerto gengival e por que ele é indicado?
O enxerto gengival é uma técnica cirúrgica usada para recuperar a cobertura da raiz dentária exposta por retração. A cirurgia consiste na adição de tecido, geralmente retirado do próprio palato (céu da boca) ou de bancos de tecidos, na região afetada. O objetivo não é só melhorar a estética, mas reestabelecer a barreira natural contra agentes externos e bacterianos.
O procedimento é indicado em casos de retração moderada a severa, quando há exposição da raiz, sensibilidade aumentada ou risco de progressão da perda óssea. Também é comum a indicação em pacientes que realizam tratamentos ortodônticos ou implantodontia, especialmente para garantir estabilidade gengival ao redor dos dentes ou implantes.
Outro ponto importante é o desconforto estético. Muitos pacientes relatam incômodo ao sorrir, por conta da assimetria gengival visível ou da aparência alongada dos dentes. O enxerto, nesse contexto, contribui para devolver harmonia ao sorriso, respeitando as proporções naturais da face.
Por fim, vale destacar: a indicação deve sempre ser feita após uma avaliação minuciosa, considerando o tipo de retração, o biotipo gengival e as condições sistêmicas do paciente.
Quando o enxerto gengival é realmente necessário?
O enxerto gengival é necessário quando há risco de progressão da retração, comprometimento estético ou sensibilidade crônica que afeta a qualidade de vida. A decisão pela cirurgia envolve fatores clínicos, como o grau da retração (classificado segundo a escala de Miller) e o risco de comprometimento do suporte periodontal.
Nos casos mais leves, com retrações mínimas e estabilidade gengival, o tratamento é apenas preventivo, com ajustes de higiene e acompanhamento periódico. No entanto, quando há perda de inserção, movimentação dentária ou retração ativa, a cirurgia é indicada para conter o avanço e restaurar a proteção.
Outro indicativo é a presença de restaurações expostas ou fraturas na raiz, provocadas pela escovação abrasiva ou por biofilme acumulado. Nesses casos, o enxerto não apenas cobre a raiz como melhora o selamento biológico, reduzindo o risco de infiltração bacteriana.
Os pacientes em tratamento ortodôntico também precisam de atenção redobrada. O movimento dentário pode agravar quadros de retração preexistentes, especialmente em biotipos gengivais finos. A realização de enxertos preventivos antes ou durante o tratamento ortodôntico pode evitar complicações maiores.
A cirurgia também é indicada para estabilizar implantes dentários, garantindo melhor adaptação do tecido gengival ao redor da prótese. Além disso, ela pode melhorar o contorno gengival antes de procedimentos estéticos, como laminados cerâmicos ou clareamentos.
Portanto, o enxerto gengival não é apenas uma solução estética, mas uma medida terapêutica que protege, preserva e estabiliza a saúde periodontal.
Como é feita a cirurgia de enxerto gengival?
A cirurgia de enxerto gengival é realizada com a utilização de anestesia local e costuma durar entre 45 minutos e 1h30. Existem três técnicas principais: o enxerto gengival livre (retirado do palato), o enxerto conjuntivo subepitelial (mais discreto e estético) e o uso de tecidos de banco (xenógenos ou aloplásticos).
No caso mais comum, o enxerto conjuntivo, o cirurgião retira uma pequena porção de tecido conjuntivo do palato, preservando a camada superficial para evitar desconforto. O tecido é posicionado na área com retração e suturado com fios finos, muitas vezes com o auxílio de lupas cirúrgicas para maior precisão.
A escolha da técnica depende da quantidade de gengiva queratinizada necessária, da área afetada e da espessura do biotipo gengival. Nos casos mais amplos, com múltiplas retrações, pode ser necessário realizar a cirurgia em etapas, para não comprometer a vascularização.
Durante todo o procedimento, o controle do sangramento e a manutenção da hidratação do enxerto são fundamentais para o sucesso. Após o reposicionamento do tecido, uma compressa estéril é colocada para proteger a área e facilitar a cicatrização.
A cirurgia é ambulatorial, e o paciente pode retornar para casa no mesmo dia, com medicações analgésicas e anti-inflamatórias prescritas. Em geral, o desconforto é leve e facilmente controlado com medicação.
A cicatrização completa leva em torno de 4 a 8 semanas, mas os primeiros sinais de regeneração já podem ser percebidos em 10 dias. O acompanhamento com o periodontista é fundamental para avaliar a integração e orientar os cuidados.
A cirurgia de enxerto gengival dói?
A cirurgia de enxerto gengival não costuma causar dores fortes, pois com o uso de técnicas modernas ela é considerada minimamente invasiva. A anestesia local garante conforto durante todo o procedimento, e a maioria dos pacientes relata apenas um leve incômodo nos primeiros dias de pós-operatório.
O ponto de maior sensibilidade costuma ser a região doadora, quando o enxerto é retirado do palato. No entanto, atualmente é possível minimizar esse desconforto com técnicas que preservam a camada superficial da mucosa, reduzindo a exposição da área interna.
Além disso, há alternativas como o uso de enxertos prontos (de banco de tecidos), que eliminam completamente a necessidade de retirada intraoral. Essa opção pode ser interessante para quem tem maior sensibilidade à dor ou contraindicação clínica para cirurgias mais extensas.
O pós-operatório é controlado com analgésicos simples, repouso relativo e alimentação fria nos primeiros dias. A escovação é suspensa temporariamente na área operada, substituída por bochechos antissépticos indicados pelo profissional.
Outro ponto importante é o suporte emocional. Muitos pacientes sentem mais ansiedade do que dor real. O preparo adequado, o acolhimento profissional e a explicação detalhada do procedimento reduzem significativamente essa tensão.
A grande maioria dos pacientes se surpreende positivamente com a recuperação. O desconforto é muito menor do que o imaginado e os resultados, tanto estéticos quanto funcionais, costumam compensar qualquer incômodo transitório.
Quanto tempo leva a recuperação de um enxerto gengival?
A recuperação do enxerto gengival ocorre em etapas e varia conforme a técnica usada e o organismo de cada paciente. Em geral, o período mais sensível dura de 3 a 5 dias, com cicatrização inicial visível em torno de 7 a 10 dias.
A reabsorção e integração total do enxerto acontecem entre 4 e 8 semanas, tempo necessário para que o tecido novo se adapte completamente à região enxertada. Durante esse período, o paciente deve seguir rigorosamente as orientações profissionais, especialmente quanto à higiene, alimentação e repouso.
A área doadora – quando presente – tende a cicatrizar rapidamente, mas pode apresentar uma leve ardência nos primeiros dois dias. Compressas frias, alimentação pastosa e o uso correto das medicações ajudam a aliviar esse desconforto.
É importante evitar o uso de escovas na região operada até a liberação do profissional. Em alguns casos, o dentista pode indicar escovas pós-cirúrgicas ou instrumentos específicos para manter a higiene sem traumatizar o local.
O retorno às atividades normais geralmente acontece no segundo ou terceiro dia, desde que o paciente evite exercícios físicos intensos e exposição ao sol, que podem interferir na cicatrização.
Quais os riscos da retração gengival não tratada?
A exposição da raiz dentária aumenta o risco de cáries cervicais, hipersensibilidade e perdas ósseas em longo prazo.
A ausência da barreira gengival natural também facilita a entrada de bactérias na região subgengival, aumentando a predisposição à gengivite e periodontite. Em casos avançados, pode haver mobilidade dentária e até perda do dente.
Além disso, a retração gengival interfere na estética do sorriso, deixando os dentes visualmente mais longos, assimétricos e até manchados pela exposição da dentina.
A retração também prejudica a estabilidade de próteses e implantes, afetando sua longevidade. Sem tecido gengival adequado, o selamento da região protética se torna deficiente, abrindo caminho para infiltrações e inflamações.
Do ponto de vista funcional, há impacto na mastigação e na fonética, principalmente quando a retração afeta dentes anteriores. A instabilidade gengival pode provocar desconforto ao falar ou mastigar alimentos mais fibrosos.
Por isso, quanto mais cedo o diagnóstico for feito e o tratamento iniciado, melhores são as chances de estabilização, prevenção e recuperação estética e funcional.
O enxerto gengival pode ser evitado?
Nem todos os casos de retração gengival exigem cirurgia. Em estágios iniciais, mudanças no comportamento de higiene bucal, controle do bruxismo, correção ortodôntica e acompanhamento periodontal podem estabilizar o quadro e impedir a progressão.
A principal estratégia preventiva está na escovação correta. Movimentos agressivos, escovas duras e cremes abrasivos são fatores que contribuem significativamente para a retração. O uso de escovas ultra macias e orientação profissional são essenciais nesse sentido.
Além disso, o controle de hábitos parafuncionais, como ranger os dentes ou usar palitos, contribui para reduzir o trauma mecânico nas gengivas. A confecção de placas noturnas também pode ser indicada em casos de bruxismo diagnosticado.
Pacientes com biotipo gengival fino ou predisposição genética devem ter acompanhamento mais frequente com o periodontista. Assim, é possível intervir precocemente caso o primeiro sinal de retração apareça.
Terapias a laser, biomodulação e uso de enxertos biológicos em gel estão em desenvolvimento para casos muito leves, oferecendo opções menos invasivas no futuro.
Mesmo assim, em situações em que há perda de inserção e exposição radicular significativa, o enxerto continua sendo a alternativa mais eficaz e estável a longo prazo.
Conclusão
A retração gengival é um sinal de alerta sobre a saúde bucal. A cirurgia com enxerto gengival é uma solução eficaz, restaurando a proteção natural dos dentes e devolvendo a harmonia ao sorriso. Mas o resultado não depende apenas do procedimento em si, pois ele é construído também nos cuidados diários, no acompanhamento profissional e na consciência de que saúde bucal é parte essencial do bem-estar geral.
Na Clínica Orthos de Joinville, acreditamos que cada sorriso tem uma história, e cada paciente merece uma atenção individualizada. Se você sente incômodos ou percebe alterações na gengiva, agende uma consulta com um de nossos especialistas. Um diagnóstico preciso pode evitar desconfortos maiores no futuro.
